Posted by : Fred Novaes terça-feira, 12 de março de 2013


Não me sento em batente de igreja para discutir traduções da Bíblia. Fujo dessa seara como corro de debates sobre futebol independentemente se meu time perde ou ganha. É sempre um “chover no molhado” com risco de alguém escorregar. Mas fui estimulado a abordar o tema ao pesquisar, sem compromisso, os arcaísmos da tradicional JFA (João Ferreira de Almeida). Nesta empreitada, acabei me deparando com a polêmica http://www.bibliafreestyle.com.br/ que carrega a ousadia de apresentar uma leitura bíblica descolada e descontraída, com foco na cultura pop da geração Y.

A proposta dos autores é trazer leitura bem humorada das Escrituras Sagradas, sem a pretensão de ser uma tradução, mas uma interpretação com o linguajar das ruas. Ousada e destemida, a proposta foi mais defenestrada do que o Marco Feliciano na Comissão de Direitos Humanos. Puro ranzinzismo do povo evangélico. O humor também pode se reverter em uma forma evangelismo, quando a essência e o conteúdo bíblico não são alterados. E com isso atingir muitos que nunca tiveram contato com a palavra da verdade.

O maluco responsável pelo projeto é o pastor da igreja Manifesto, de Uberlândia, Ariovaldo Jr, que entre tatuagens, piercings e outros adereços maloqueiros, leva a palavra principalmente para a juventude. Neste projeto, conta com a ajuda do pastor batista Guilherme Burjack. A meta inicial era terminar o Novo Testamento até Julho de 2013 e o Antigo Testamento até meados de 2014, mas por enquanto terminaram Mateus e ainda caminham para concluir os outros evangelistas.

A polêmica sobre a Bíblia free style é parte de uma discussão que vem desde o lançamento das traduções NVI e NTLH nos anos 90 quando os mais tradicionais iniciaram uma campanha para demonizar textos bíblicos que adotaram uma linguagem mais atual. Como disse Guilherme no seu manifesto, “a Palavra de Deus precisa ser entendida. E há de fato, não digo eu, mas os dados sobre analfabetismo funcional, um mal silencioso que segrega milhares de pessoas” e impede uma apropriação do conhecimento bíblico sem a interferência de um mediador (pastor ou algo que o valha).



Trago alguns trechos da free style para a galera zoar, curtir, compartilhar e se edificar, lembrando que ela é dividida por capítulos e não por versículos. Mateus 1: “Livro da geração de Jesus, o cara...Esse tal de José era especial por que quando a dona Maria (sua noiva) apareceu dizendo que tava grávida do Espírito Santo, ele obviamente sentiu que isso cheirava a chifre...” Mateus 13 "Quem tem, vai ter mais. Quem não tem, vai perder até o pouco que tem. Eu conto essas histórias cabulosas pra essa galera ver e não enxergar; pra ouvirem mas não entenderem. O coração dessa galera tá duro. Ouvem o que eu digo e veem o que eu faço, mas não se importam. Por isso estou complicando as coisas, pra que não entendam e se convertam e eu tenha que os curar agora."

Outro trecho em Mateus 14: “’Dá comida pro povo vocês mesmos, ué’." Os discípulos dando uma de joãozinho sem braço, disseram que não tinha como, por que só tinham cinco pães e dois peixes. Então Jesus pegou os pães e os peixes e mandou a galera toda sentar. Olhando pro céu, abençoou aquele pouco rango e começou a repartir. Ele repartia com os seus seguidores e estes repartiam com o resto do povo. No final todo mundo comeu até virar os zóio e ainda sobrou um montão. Mais de cinco mil pessoas comeram o Mc Lanche Feliz que Jesus providenciou. Então mandou seus seguidores vazarem no barco, enquanto ele liberava a galera pra irem pra suas casas...” Ou Marcos 15: “O véu lá no templo que fazia separação entre o lugar onde Deus estava e o resto do mundo, se rasgou sozinho de cima pra baixo. E o guarda que viu Jesus morrendo, se borrou todo dizendo: ‘CARAAAAAAAAAAACA! MATAMOS O FILHO DE DEUS!’”



Como os autores defendem, a língua é viva e a palavra de Deus é eficaz para o propósito por Ele determinado, independentemente da linguagem adotada para comunicar a sua mensagem. Ela mantém o padrão de ser útil para ensinar, repreender, exortar e edificar. No meu caso, adoto pelo menos quatro traduções para estudo e leitura da Bíblia, incluindo a JFA, NVI, NTLH, Viva e King James. Cada uma me possibilita a oportunidade de refletir de forma diferente sobre a mensagem da graça de Cristo, mas todas cumprem a meta de me fortalecer no caminho da salvação. Boas-vindas dou à free style. Que muitos jovens dêem sonoras gargalhadas lendo-a. Certamente a semente brotará em terra fértil.

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